Patrono, Patriarca, Pai

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No final de 2017 foi aprovada e sanciona a lei que concede a José Bonifácio de Andrada e Silva o título de Patrono da Independência do Brasil.

Todo o reconhecimento da relevância histórica de José Bonifácio é bem-vindo. E homenagens como essa criam marcos que acabam por atrair a atenção sobre sua biografia — coisa que às vésperas do bicentenário da independência pode servir de ferramenta para a promoção de seu nome.

Mas títulos não lhe conferem grandeza o bastante, não atribuem substância aos aspectos mais íntimos e significativos de sua personalidade e não fornecem à posteridade os detalhes mais expressivos de sua trajetória. Também é digno de nota que, mesmo em vida, este tipo de deferência não lhe causava lisonja. Urge, de fato, povoar o imaginário do povo com seus feitos, com o vigor de seu intelecto, seu heroísmo e bravura e todos os contornos que dão forma a seu espírito. E isto só é possível contando sua história repetidas vezes ao maior número de pessoas possível. Somente através da tradição seremos capazes de entregar às gerações futuras o exemplo virtuoso que o maior dos Andradas nos legou.

E, se for para lhe conferir um título, preciso citar meu professor e amigo, Sérgio Pachá, que diz que devemos deixar de lado os derivados da palavra latina ‘pater’ e, segundo ele: “determo-nos no essencial, ou seja, na própria palavra Pai, a única que cabe ao homem que, mais do que qualquer outro, fez a nossa Independência. José Bonifácio de Andrada e Silva é o Pai de nossa Pátria.”

Este texto serviu de colaboração ao artigo publicado pelo site Libertwins. Confira também no site deles a entrevista concedida pelo diretor Mauro Ventura sobre o filme Bonifácio – O Fundador do Brasil.

 

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