Entrevista a Libertwins

“Nós vamos falar tudo o que os padres não tem falado há 40 anos”, provoca o filósofo Olavo de Carvalho. Ele, Wolfgang Smith e Raphael de Paola têm o desafio de desvendar o “milagre” no novo filme de Mauro Ventura. O documentário é uma investigação filosófica acerca do fenômeno no cristianismo. De acordo com a produção do longa, o espectador estará “diante do maior mistério da história humana”.

“Milagre” é o segundo longa produzido pela IVIN Films, que tem obras como “Bonifácio- o fundador do Brasil” e “O imbecil coletivo”. O documentário já tem data marcada para início de abril em várias cidades do país. Cerca de 28 profissionais trabalharam durante dois anos para concluir a produção, financiada via crowdfunding com orçamento de R$85 mil reais. Conversei com Mauro Ventura, diretor do longa:

Não estamos fazendo este filme para levar multidões ao cinema, estamos dando o máximo de nós para oferecer, ainda que para poucos, o que há de mais profundo, substancial e urgente para o homem contemporâneo: sua reconexão com a realidade

TP: A proposta do filme é fazer uma investigação filosófica sobre o milagre no cristianismo. Como foi a ideia de gravar sobre um tema tão complexo?

MV: O tema do milagre traz à reboque um questionamento sério sobre os rumos da ciência moderna, de suas limitações e da clausura imposta a gerações e gerações por meio de uma concepção errônea de realidade. O milagre é, ele mesmo, um evento que reúne todos os extratos ontológicos possíveis do Ser, não há objeto de conhecimento mais propício para esta investigação que o fato miraculoso. Não estamos fazendo este filme para levar multidões ao cinema, estamos dando o máximo de nós para oferecer, ainda que para poucos, o que há de mais profundo, substancial e urgente para o homem contemporâneo: sua reconexão com a realidade.

TP: Como foi pensado o filme? E o processo de criação?

MV: Estávamos no meio da produção de Bonifácio quando decidi apresentar a ideia ao Olavo. Imediatamente ele a aprovou e me encorajou a levar o projeto adiante. Como estávamos às vésperas da viagem à Europa para as filmagens de “Bonifácio” e “Brasil: Alma Portuguesa”, achamos que seria proveitoso usar o nosso tempo livre – se é que posso dizer que havia algum – para filmar um terceiro filme.

Para o roteiro, busquei norte na aula “O que é um Milagre”, do professor Olavo de Carvalho e depois de uma série de contratempos e alguns revezes, conseguimos entrar em contato com o professor Wolfgang Smith que, juntamente com o Raphael de Paola, fechou uma trinca de peso para os nossos entrevistados.

TP: Qual o formato do longa?

MV: É um documentário. Mas, como sempre, tentamos sobrepor camadas criativas para obter um resultado artístico; para isso, além de outras coisas, contamos com nomes como Guto Brinholi e Samuel Nogueira para compor uma aclimatação sonora tanto na composição da trilha como na ambientação promovida pelo design de som. Com um tema tão fascinante quanto árido, se faz necessário oferecer uma certa imersão ao público para conduzi-lo ao longo da narrativa.

Nosso sucesso não é ultrapassar a meta, mas construir uma rede de amigos que cooperam para alcançar um objetivo em comum

TP: O financiamento coletivo ultrapassou a meta de R$85 mil reais e chegou a quase R$100 mil. Podemos dizer que é mais um sucesso de arrecadação da IVIN. O longa teve algum patrocínio de empresas?

MV: Sempre contamos com alguns parceiros corporativos e somos imensamente gratos a eles, mas como também não utilizamos incentivos fiscais nessa produção, o aporte de maior vulto vem do colaborador individual, daquelas pessoas que, às vezes, tiram do seu próprio conforto ou conveniência para promover uma obra artística. Nosso sucesso não é ultrapassar a meta, mas construir uma rede de amigos que cooperam para alcançar um objetivo em comum.

TP: Para desvendar o milagre, a produção conta com três entrevistados. Como cada um deles contribuiu na história?

MV: Os três têm uma sintonia incrível entre si. Cada um tem uma forma específica de abordar o tema, mas o que há de mais interessante nessa reunião é que a impressão que fica ao espectador é a de estar ouvindo um discurso único. Cada uma das entrevistas complementa a outra de uma forma tão surpreendente que não consigo imaginar o filme sem um deles ou, ainda, com um quarto participante.

TP: O filósofo Olavo de Carvalho está em mais uma produção da IVIN. Na tua opinião, qual a importância dele para o Brasil?

MV: Olavo é uma das pessoas mais importantes da história do Brasil. Sua influência é inquestionável para o atual quadro político brasileiro; mas essa é provavelmente a parte mais irrelevante da sua obra. O monumento do conhecimento que este homem ergueu e continua dando forma é de tal forma colossal que é até compreensível que muitos dos homúnculos que o criticam não consigam vislumbrar sua dimensão.

O homem materialista está moribundo, encurralado no beco sem saída que impõe a si próprio, e como se sente solitário e desprotegido, tenta a todo custo trazer aqueles que o cercam para o seu cárcere de insensatez

TP: Qual a contribuição do longa para o espectador?

MV: Oferecer ao menos um fragmento do status quaestionis do tema. A ciência moderna como nós conhecemos está no limiar de uma grande mudança de paradigma e o filme, entre outras coisas, tem o papel de ser um mensageiro dessas notícias. O homem materialista está moribundo, encurralado no beco sem saída que impõe a si próprio, e como se sente solitário e desprotegido, tenta a todo custo trazer aqueles que o cercam para o seu cárcere de insensatez. O filme quer apresentar ao público os elementos necessários para que esta bruma entorpecente se desfaça.

TP: O que o espectador vai sentir ao assistir “Milagre”?

MV: Espero que reflita mais do que sinta. Sensações são evanescentes, a reflexão pode causar marcas perenes e fortalecer a personalidade.


As cidades já confirmadas para a exibição do filme são: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Brasília (DF), Recife (PE), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Natal (RN), Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Ribeirão Preto (SP) e Porto Alegre (RS). Os horários e ingressos estão disponíveis neste link.

De acordo com Ventura, além de “Milagre”, a IVIN já trabalha em duas novas produções. Uma viagem “à nossa identidade mais íntima e verdadeira com o filme “Brasil: Alma Portuguesa”. E a segunda, afirma o diretor, é “ultra-super-mega-confidencial”.

Original no site Libertwins

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